Gravidez de gêmeos

Gravidez de gêmeos

Gravidez de gêmeos

Após toda expectativa em torno de um teste de gravidez e da alegria de um resultado positivo resta confirmar se está tudo bem. Isso é feito por meio do ultrassom transvaginal. É nessa hora que alguns casais recebem a notícia que darão a luz a mais de uma criança, a chamada gravidez gemelar, podendo ter dois ou mais bebês.

Esse tipo de acontecimento vem se tornando cada vez mais frequente e a principal causa é o aumento do número de casais que se submetem a tratamentos de reprodução assistida. Isso porque, tanto a mulher pode ser estimulada a liberar mais de um óvulo e estes serem fecundados quanto podem ser colocados mais de um embrião em seu útero através da fertilização in vitro.

A gravidez gemelar dupla é mais comum com frequência de 1/80, chegando a 1/512.000 no caso de gravidez quádrupla. Essa incidência aumenta com a idade, dos 35 a 40 anos e diminui após os 40. Além da idade materna, temos influência da paridade (ou número de filhos de uma mulher), quanto maior paridade, maior a probabilidade de ter gêmeos. Outro parâmetro que se leva em consideração para aumento das hipóteses de gravidez gemelar, é a história familiar materna. Filhas de mães com história de gêmeos têm mais probabilidades de terem gêmeos também.

Existem dois tipos de gravidez gemelar, as monozigóticas e as dizigóticas. As monozigóticas, resultam da fecundação de 1 único óvulo por 1 único espermatozoide. O ovo, ou zigoto, resultante divide-se espontaneamente em 2 ou mais, resultando desta divisão, embriões geneticamente idênticos e originando os gêmeos idênticos. Já as dizigóticas se formam quando dois óvulos são fecundados, cada um por um espermatozoide, originando assim dois indivíduos geneticamente diferentes, podendo ser ou não do mesmo sexo. Apenas 1/3 das gravidezes gemelares são monozigóticas.

Dependendo do dia em que ocorre a divisão do embrião é que será estabelecido o grau de separação entre os dois fetos. É importante saber que a bolsa é formada por duas membranas, a externa chamada córion e a interna chamada âmnio. Se a divisão ocorrer com menos de 72 horas da formação do embrião eles possuirão duas placentas e duas bolsas (dicoriônica e diamniótica). Se a divisão ocorrer entre 4 e 8 dias terão uma placenta, duas camada amnióticas e uma coriônica (monocoriônica e diamniótica). Entre 9 e 12 dias será monocoriônico e monoamniótica, ou seja, só uma de cada para os dois fetos. Após 13 dias é que surgem os gêmeos unidos ou siameses.

Gravidez de gêmeos

Gravidez gemelar, quando comparada à gravidez única, apresenta maior risco de complicações, tanto do ponto de vista materno quanto fetal. No que diz respeito à mãe há maior índice de anemia, hipertensão e diabetes na gravidez, hemorragias e infecção pós-parto. Já de acometimento fetal, destaca-se o aumento na incidência de abortos espontâneos, restrição de crescimento fetal, parto prematuro e malformações.

É importante saber se os bebês compartilham da mesma placenta e se são monocoriônicos, pois isso aumenta o risco de complicações durante a gravidez. Para esse diagnóstico utiliza-se o ultrassom de primeiro trimestre (entre 11 e 13 semanas), quando é possível identificar se há uma ou duas placentas e se há alguma membrana separando os dois bebês. Uma maneira fácil de saber isso é quando os bebês são de sexos diferentes, nesses casos é certeza que eles possuem materiais genéticos diferentes e não compartilham nenhuma das estruturas citadas.

O acompanhamento pré-natal deve ser mais rigoroso do que na gravidez única. A frequência das consultas passa a ser quinzenal a partir da 30° semana e semanais a partir da 34° semana, variando caso a caso. Pelo risco de trabalho de parto prematuro é feita a pesquisa do Streptococo do Grupo B com antecedência e sempre é administrado corticoide para ajudar a maturar os pulmões dos fetos.

Para aquelas pacientes que desejam parto vaginal, ele é possível. Só que para isso algumas condições devem ser consideradas, entre elas a idade gestacional e o peso dos fetos. Isso torna essa via de parto mais complicado, optando-se pelo parto cesárea.

A idade gestacional ideal para a realização do parto ainda não está bem estabelecida. Vai depender se os fetos compartilham a mesma placenta ou bolsa das águas. Nos casos em que isso acontece uma resolução precoce reduz os riscos materno-fetais. É importante ressaltar que mesmo na melhor das situações a gravidez não costuma passar de 38 semanas.

Independente de ser uma gravidez única ou gemelar, o mais importante é seguir corretamente as orientações de seu médico e comparecer a todas as consultas do pré-natal. Medidas simples tornarão sua gravidez muito mais tranquila e saudável.